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  • Foto do escritorDagomir Marquezi

O direito à vergonha


Tenho tentado recuperar e disponibilizar minha obra. É minha obrigação, e só minha, deixar o que eu escrevi para quem quiser conhecer algum dia. E tenho orgulho - em geral - do que fiz. Mesmo quando ficou ruim, eu tentei.


Antes de ontem eu descobri a coleção completa digitalizada de um jornal onde trabalhei. Como eu já dava essa fase da vida profissional como perdida na memória, fiquei muito contente com a descoberta. Dei uma busca no que eu havia assinado. E confirmei que nessa época eu não era um cara de quem me orgulharia hoje.


Eu escrevia sobre televisão. Apresentava as atrações do dia, algumas indicações de programas e filmes na TV. E como eu era arrogante! Me achava o máximo, escrevia coisas cruéis, desrespeitava quem criava os filmes e programas. Quando gostava muito de alguma coisa, eu elogiava, claro. Mas se não conhecia muito bem, eu usava de um sarcasmo destrutivo para parecer inteligente aos editores do jornal e aos leitores.


Além disso eu era em 1979 um esquerdista arrogante de 26 anos de idade, querendo "passar recados políticos" para os leitores, como se ninguém percebesse minha desonestidade intelectual. Ler todo esse material não foi uma experiência agradável. Agradável foi saber que, 44 anos depois, eu não sou mais desse jeito.

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