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  • Foto do escritorDagomir Marquezi

A despedida de Merlin


São Paulo

Todo dia, a caminho do metrô, eu via aquele gato no jardim de um prédio. Ele nem dava muita bola para mim, mas fazia parte da minha rotina. Eu passava pelo prédio, e lá estava o gato.


Um dia, conversei com o porteiro e descobri que seu nome era Merlin. E que ele era um morador não oficial do condomínio, e recebia ração e cuidados de vários dos moradores - enquanto alguns deles gostaria que ele fosse expulso ou exterminado. Agora eu sabia seu nome, e a cada passada eu falava com ele, um pouquinho, à distância.


O porteiro, seu Edson, me contou que ele já estava bem doente e tinha chegado a cerca de vinte anos de idade, o que não é comum num gato. Seu corpo estava magro, o pelo sem brilho. No dia 16 eu passei por lá e Merlin estava desse jeito da foto: lindo, deitado na vegetação, perto da grade. Pela primeira vez, ele se levantou para pedir meu carinho, uma coçadinha na orelha, um agrado no velho senhor que parecia rejuvenescido no meio do verde.


Depois não vi mais. A cada passada que dava, procurava o Merlin com o olhar e nada dele. Meio que adivinhando a resposta, evitava perguntar ao seu Edson o que havia acontecido com o gatinho. Ontem eu perguntei, e descobri que ele havia partido no sábado, para dor de muitas pessoas naquele prédio. Que, pra mim, vai se chamar Edifício Merlin a partir de agora.

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